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Ficar em qual casa?

Atualizado: 1 de Jun de 2020

Em tempos de confinamento, ganhamos espaço. Nunca a máxima “o maior espaço é dentro” foi tão compreendida. Ou pelo menos, este é o convite!

Em tempos de confinamento, ganhamos espaço. Nunca a máxima “o maior espaço é dentro” foi tão compreendida. Ou pelo menos, este é o convite!

A vida nos trouxe a oportunidade de habitar nossa casa. Por vários motivos históricos e escolhas pessoais, nos afastamos dela.


Nossa casa tem muitos cômodos que se comunicam entre si e com possibilidade de se comunicar também com inúmeras dimensões. Sem dúvidas, o fazer é a grande porta de entrada.


É quando agimos que nos percebemos. Podemos imaginar, fantasiar, ter uma auto imagem de quem somos, mas quem nos traz o dado de realidade são nossos feitos. O que e como realmente fazemos? É na ação que vamos descobrir nossos valores, prioridades, como estamos atuando, se estamos de fato sendo o que dizemos ou pensamos ser. É a partir da ação corporal que sinapses são formadas no cérebro, principalmente das ações manuais.


A postura atenta ao fazer nos permite descobertas: insights, associações, ativação de memórias e muito mais. A postura atenta nos permite perceber o fazer como essa grande porta de entrada para em seguida fazermos outra grande descoberta: tudo o que fazemos por aí a fora se reflete em nós, ou dentro de nós. Cada tarefa que realizamos, cada comida que cozinhamos, desenho, costura, seja o que for, traz consigo na ação a ativação de uma enorme rede neural, física, bioquímica, anímica, energética. Ativa memórias, propicia espaço para pensarmos, conecta sentimentos, estimula afetos. E então fazemos a terceira grande descoberta: o fazer é o fazer de si.

Em algum momento de nossa existência descobrimos que a casa que habitamos não está completa. Ela se constrói ao longo da vida. Essa é nossa grande tarefa. Construir um emocional mais qualificado, aprofundar processos mentais, ampliar pensamento e consciência, aprimorar nossa relação com esferas inconscientes, e por fim, aproximar intenção e gesto.


Diminuímos o que é o fazer tornando-o sinônimo de produção. Nos condicionando a uma cobrança padronizada infinita. Perdemos a conexão com o prazer de fazer. Contratamos serviços, compramos produtos prontos, tudo rápido, padronizado e on line! Em conseqüência, pensamos cada vez menos, sentimos cada vez menos, nos construímos cada vez menos.


Neste momento em casa, temos a oportunidade de nos conectar com a vontade. Perceber as emanações da sua vontade que nos dão a dica do que estamos precisando construir ou aperfeiçoar em nossa casa. A vontade de fazer algo nasce de uma percepção fina de si que ativa nossa força de vontade, nos torna vivos. A partir daí questionamos, refletimos, pensamos em como fazer. Não estou falando de impulso, ansiedade, que traduzimos como “vontade” de comer brigadeiro o dia todo e ver televisão! O convite é para aprofundarmos a percepção até para conseguir sair das ansiedades.


O grande comunicador de nossa casa, que atravessa todos os cômodos e nos traz as notícias é o sentimento.


Fazer as tarefas do dia a dia como manter a casa limpa, fazer sua própria comida pode ser a grande oportunidade de religare. Se conectar com os cuidados e construção de si é a base. E uma base bem feita permite ao sentimento circular por todos os cômodos, materiais e sutis, trazendo as novidades dos próximos projetos.


O convite é para aproveitarmos esta oportunidade. O bem estar, em vários níveis, de ter feito é imensurável. A construção e burilamento de nossa casa continua para além da quarentena. Essa é uma boa oportunidade de aprender a ficar em casa.

Fique em casa. Fique dentro de você.

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