• Melissa Migliori

O fenômeno da mente

Introdução ao pensamento da anatomia do corpo sutil

A tendência materialista de nossa ciência dos últimos séculos sedimentou em nós a sensação de identificação total com a mente. A noção de eu reduziu-se a uma definição materialista de mente, localizada no cérebro, sendo a mente um subproduto do cérebro.


Nesta visão, há uma supremacia do raciocínio lógico, da prevalência de que o real é o que pode ser visto, medido e pesado. Tanto a física quântica como a neurociência já comprovaram que essa visão não corresponde à realidade da mente e do cérebro. Contudo, em se tratando de mente, pouco importa os conceitos e teorias, se não mudarmos nossa experiência pessoal do que sentimos e experimentamos como realidade.


A mente é um fenômeno não localizado. Imagine uma esfera, um campo mental, cujo centro é flutuante. Varia de acordo com nosso foco de atenção.


O cérebro é o órgão correspondente da mente no corpo físico, mas não é a mente. O cérebro está sempre em nossa cabeça, em nosso corpo físico. Se estou em pé na cozinha lavando louça, meu cérebro está ali na cozinha em frente a pia. Se estou lavando a louça pensando em um amigo que mora em Portugal, minha mente está desde a cozinha até Portugal. Ela está em todo esse território. Cabe a nós incluir no território da mente os elementos com os quais queremos que ela lide, abarque, conceba como real. Para levar minha mente desde minha cozinha na Bahia até Portugal, concebo que existe esse outro país, já li a respeito, já assisti a filmes, estudei a história, fui visitar. Enfim, eu nutri minha mente com vocabulário para incorporar Portugal.


Nossa mente pode ficar do tamanho que a fizermos. Ela pode conceber apenas a existência da minha cozinha, como pode conceber a existência de múltiplas dimensões planetárias.


A mente é um órgão de nosso corpo sutil. Nós somos uma soma de uma porção material e visível e uma porção invisível constituída de outros tipos de substâncias em diferentes freqüências de vibração.


A psicologia se propõe a estudar a alma humana. Contudo, muitas vezes agimos tentando fazer toda a alma caber dentro da mente. A mente é um dos órgãos de nosso corpo sutil. É um órgão sutil que tem uma implicação muito próxima com o corpo físico, é um grande elo entre alma e corpo material. O que criamos na mente, experimentamos como real e nos provocam sensações físicas, visão de mundo, crenças. Arriscaria dizer que a mente tem o poder de moldar a expressão de nossa alma, se nos identificarmos totalmente com ela.


O desafio é passar da identificação com a mente para aprender a se relacionar com o fenômeno mente. E se relacionar a partir de onde com a mente? Essa é a gostosa descoberta. O que mais somos? Onde mais estamos em nós, além da mente? Quais aspectos nossos são habitados por nossa consciência de eu?


O convite é perceber como posso me relacionar com ela de maneira que se aquiete para que eu possa perceber outros órgão sutis, como o inconsciente, meu corpo emocional e, no tempo, redimensionar minha noção de eu. Podemos nos perguntar, como minha mente atua? Do que ela precisa para se acalmar, de que tipo de informação?


Vamos refletir mais sobre o eu em mim.


Com carinho,

Melissa Migliori


25 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo